Entre Mares e Marés: Conversas Epistolares (Parte XI)

Meu querido Viana:

Desde a tua última missiva de 7 de Janeiro que tenho andado literalmente a ruminar as tuas palavras e o que me contas. Sendo o conteúdo o mesmo, creio que o aprecio diferentemente conforme os dias.

Ficou-me na memória o teu relato sobre o incêndio na Chapada Diamantina, o que me fez recordar os incêndios que por estes lados grassam também todos os anos. Ficam quase sempre por esclarecer, mesmo que muitas hipóteses sejam levantadas quanto à sua origem: desleixo, mão criminosa manipulada por construtoras gananciosas e inescrupulosas, atos de puro vandalismo ou praticados por algum pirómano, julgo que já vimos de tudo um pouco, se não provado, pelo menos no terreno da especulação. Em tempos falava-se de chuvas ácidas, argumento que tem vindo menos à baila ultimamente. Em todo o caso é escandaloso e trágico o que se destrói em todo o mundo como consequência dos incêndios, todos os anos, sem que consiga pôr em prática um conjunto de medidas preventivas realmente eficazes. As matas são extensas e não se pode vigiar cada mm² de terra. Nem de maldade humana, malícia ou seja o que for.

Também sobre a tua nota sobre Borges, de quem nunca ousei ser verdadeiramente fã, talvez por achá-lo grande demais para os meus olhos, fiquei fascinada com o texto que encontraste sobre ele. Tenho uma curiosidade grande em saber quem seria a autora mas talvez seja bom resguardar esse mistério e manter o foco no texto, de uma beleza dorida e instigante. Só as mulheres são capazes de (d)escrever tais coisas, ou alguém que possa sentir como elas, como nós. Retenho uma das frases finais: “Se na minha lápide estiver escrito apenas “Uma mulher que amou um poeta”, eu ficarei feliz”. Pode ser que um dia escreva o mesmo, som por som, tecla por tecla.

E sim… Viana, eu também adoro surpresas, sobretudo as programadas e que se saboreiam com antecedência!!!. E gosto muito de aprender contigo palavras e significados, como o verbo “embonitar”, essa derivação tão suave que aplicas com delicadeza, de tal forma que já faz parte do meu vocabulário também. (Mia Couto, aqui vou eu, aqui vamos nós, de asas abertas para todas as derivações que nos tornem os dias mais azuis. E aqui faço uma vénia respeitosa a ele, o homem que escreve prosa mais poética que a própria poesia e que me ensinou outros mundos através de derivações e corruptelas roubadas à língua dos falantes, magníficas e improváveis: a “subfície” do mundo, o papel “marrotado”, “rodilhar” o coração, as letras “incertinhas”, ou a velha que insistia, “cismalhava”. Não é de uma beleza imensa que escorre pelos olhos?). A minha filha dirá, quando nos ler, que eu sou realmente a mulher dos apartes longos….

Sobre silêncios, muito haveria a dizer ainda e mais, creio eu, a calar. Pressinto que concordas. Mas não gosto de silêncios que afastam, apenas daqueles que nos servem para renovar o fôlego e arremeter com mais força ainda. E como vão os teus, meu amigo?

Subscrevo inteiramente a tua ânsia de viver o repentino, o inusitado. Ainda não cheguei à fase de preferir essa paz rotineira, como pano de fundo. A minha inquietação é-me vital e a paz apenas uma fugaz consequência porventura salutar por efémeros instantes e nalgumas tardes chuvosas de domingo.

E não posso deixar de comentar a tua descrição sobre o lamentável episódio de racismo e esnobismo, no caso do grupo que condenava de maneira claramente preconceituosa a relação da médica com um “atendente”. Eu também já presenciei atitudes baixas como essa inúmeras vezes na minha vida e causam-me sempre uma incontida revolta. Como se a felicidade e a facilidade de relacionamento entre pessoas dependesse do grau académico ou da cor da pele! Tais comentários revelam uma ignorância atroz, maldade, intolerância, desconhecimento do mundo e das pessoas. Pensar que uma relação só pode ser bem-sucedida entre duas pessoas do mesmo nível social, status, padrão financeiro, grau académico, cor de pele e outros parâmetros da mesma índole é de uma ingenuidade espantosa, próxima do embrutecimento. Custa a crer que estamos em pleno século XXI. “Nauseabundos”, o teu adjetivo, resume tudo. Numa análise mais desapaixonada, e não sendo psicóloga nem socióloga, diria que por motivos óbvios é mais fácil pessoas aproximarem-se quando têm interesses comuns e um estilo de vida parecido. E percursos de vida que facilitem os encontros, que tornem mais fácil e fluido o convívio. Mas as exceções são tantas que seria ridículo querer definir um paradigma de aproximação que garanta o sucesso de uma relação, seja em termos afetivos, profissionais, ou outros. Graças a Deus que fomos poupados a uma educação tão isenta de valores, tão flagrantemente preconceituosa.

Resistamos, pois, meu querido Viana.

Sobre as novas experiências que fazem doravante parte da tua vida, fico feliz e vagamente curiosa por saber do teu interesse pelas artes marciais e da tua dedicação ao desporto, ao cardio-fitness, pelo que percebo. Li algures que o exercício físico é um antidepressivo natural, do melhor que há, a usar sobretudo de forma preventiva. Eu fico-me pelas caminhadas e pela dança, que me são vitais, embora me abra a ambas de forma inconstante e algo rebelde.

Solidão, nem vê-la! Façamos um pacto: eu ajudo-te a livrares-te da tua e tu ajudas-me a correr com a minha. Que se entendam ambas bem longe de nós!

Por aqui posso dizer-te que nesta teia que construímos os dois fica ainda muito por contar. Houve por cá uma eleição presidencial com resultados previsíveis. Entretanto a nossa constituição não confere poderes por aí além ao PR pelo que este acaba por tornar-se uma figura meio apagada, um árbitro que dirime conflitos, uma figura para a política externa. O nosso homem dá pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa, é um catedrático muito respeitado no meio académico e um analista político conhecido, com ampla exposição mediática desde há décadas. Um sedutor, carismático e orador invulgarmente dotado. Quanto ao resto, leia-se, ao futuro imediato, veremos. Há o saber e há o saber fazer. Poderá um bom treinador e comentador de futebol jogar como avançado? Ou à defesa? Ou à baliza? Tem graça estas comparações vindas de alguém que entende ZEROxZERO de futebol!

Falando de mim, de coisas que nos interessam a um nível mais pessoal, tu sabes, penso eu, que estive com a Cris naquele pequeno paraíso chamado Vimieiro. Aquela menina é uma amiga de toda a vida e para a toda a vida. Nós comemos, bebemos e conversámos como já nem se usa, aprendemos uma da outra e partilhámos mesa e diversão. Passeámos e sentimos a tua falta e ao mesmo tempo a tua presença. Fotografámos e fizemos comidinhas boas, regadas com bons tintos alentejanos, ensinámos e aprendemos Alentejo afora, prometemos viver mais aquele pequeno paraíso com amigos que queiram lá estar e beber daquele ar e mansuetude. Este é o Vimieiro que tu vais conhecer, bem perto de Évora, de Estremoz, perto do céu. E falando em prazeres simples e doces e em cultura, não posso deixar de voltar a desafiar-te para ouvires a nossa querida Sant’ana, uma e outra vez; ela canta nos mais variados registos, para além de mornas canta também alguns clássicos da música romântica que incluem Marisa Monte e Elis Regina, Ruy Veloso, Elvis Presley e temas de fado. Consegues imaginar tudo isso? Se não, vem para cá. Agora.

Que mais te posso contar? Do que tenho, nada, porque não tenho nada. Do que sou, nada também, porque já sabes tudo, ou quase, ou o que importa. Do que vou vivendo, do que vou sorvendo da vida. Um pequeníssimo episódio: há dias num hospital privado duas amáveis senhoras faziam recolha de donativos para uma instituição que ajuda crianças vítimas de maus tratos; perguntaram-me assim: quer colaborar? aqui cada um dá o que pode. E eu respondi apenas: vou dar-lhes o que não posso, porque o que posso eu já dei… as senhoras escudaram-se num sorriso surpreso e receberam com gentileza o meu minúsculo donativo. (Quanto menos podemos dar, seja o que for, mais sentimos esse apelo, não te parece?).

Viana, estou feliz por voltar a encontrar-te por aqui, porque tu me incentivaste a comunicar. As coisas não têm sido fáceis, mas nas nossas trocas de impressões e de afetos chega a parecer que são.

Recebe um abraço imenso e forte.

Até já, Clara.

Lisboa, 16 de Fevereiro de 2016.

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Conversas Epistolares

Clara, boa noite.

Aqui o relógio marca exatamente 19 horas e 29 minutos de uma noite razoavelmente fria e aprazível. Você começa seu palavreio me recordando incêndios em minha terra natal. De uma alma sensível cair em prantos, eis a verdade. E eu começo proferindo um “não”, minha estimada Clara. Definitivamente, não gosto de pessoas sem coração. Não há afeto. Pessoas assim tocam fogo na beleza do mundo. Só me interesso por pessoas excepcionais, marginalizadas, desconectadas do padrão ocidental do que é ser uma pessoa bem sucedida e feliz. Pessoas divergentes, excedentes, mendigos, prostitutas pobres, artistas de verdade (não os palhaços do circo comercial vigente, mercenários tolos, vazios bonecos de plástico), de pessoas excomungadas, inconvenientes, solitárias, revolucionárias, desertoras, rebeldes com causa, sobreviventes, guerreiros da paz (com ou sem armas), pessoas que se recusam, que fazem a hora, que vão embora, que ficam, que choram, que praguejam o inimigo, que alardeiam suas vísceras feridas pelo mundo, pela vida, pelos porcos no poder.

Pessoas que ardem, que resistem, que se espantam, que produzem, que destroem paradigmas, que desmentem dogmas, que sacaneiam a sorte, que riem do diabo, que desmascaram a religião, que defecam no chão dos salões imperiais, presidenciais, bestiais, celestiais, catedrais de cocô. Pessoas não-covardes, não-passivas, não-conformistas, não-consumistas, não-intolerantes, não-radicais religiosas, não-radicais político-ideológicas (?), não-radicais, não-hipócritas, não-retóricas, não-demagógicas, não-ignorantes por convicção, não-arrogantes por opção, não-materialistas por missão, não-preconceituosas por falta de humildade ou conhecimento de causa, não-medíocres, não-políticas, não-raquíticas de alma. Como vê, sobra pouco. Mas estas pessoas existem. Elas são comuns e bastante simples. São fáceis de encontrar por aí, por mais incrível que pareça.

Não. Definitivamente, não gosto de pessoas desalmadas. Gosto de gente simples. Gosto de almas puras. Purificadas pela Poesia de ser humano. Pela consciência da beleza de sobreviver no mundo apesar dele. Sem ser dele, sem ser ele, sem ser cópia, sem ser carbono. Eu sou sangue. Amo a água que corre em minhas veias. Amo o amor doído que há em meu peito. Amo você, Clara, mulher de alma e forte. E esta é mais uma bela forma de resistência.

Desculpe-me por iniciar meus dizeres de forma tão firme, como agora. Há momentos em que o coração da gente pula, saltita feroz e até age por impulso. Pulsamos inteiros, completos, incompletos. É pelo que a sua filha lhe diz, seus apartes longos, que você muito me encanta, Clara. Você é verdade e suas palavras revelam seus valores. Inventariar palavras é coisa boa, bonita, profissão dos grandes artistas das palavras. Nós, feitos de linguagem, apreciamos além. E que seja assim. E que sejamos assim, réguas disformes construtoras de mundos.

O silêncio pode esconder moléstias. É uma obra de dupla organização. Vez ou outra, escolhemos guardar coisas dentro da gente e isso pode nos fazer muito mal. Noutras, o guardar observa gestos de inteligência. Contempla a paciência. O silêncio pode até nos levar à paz. Esta paz que ainda não lhe chegou com afinco, Clara. Mas que chegará, creio. Você a quer?

Ainda sobre esta paragem acerca do inusitado em nossas vidas, conto a você um caso que me ocorreu ainda no meio desta semana. Tudo começou com uma inocente caminhada e terminou num delicioso banho de chuva. Foi um daqueles momentos em que você diz: isso sim é a vida! Quando ela acontece puramente, sem planejamento. Ela simplesmente vem e arrebata tudo. Eis o improvável que me aconteceu hoje. Como de costume, saí para minha caminhada. Estava no ginásio onde corro quase todos os dias e ele estava quase vazio. Apenas umas três pessoas caminhando e observei que havia um homem nas arquibancadas. O ginásio tem um campo de futebol cujo gramado é cercado de cascalho, onde as pessoas correm. Ele estava lá. Sentado sozinho nas arquibancadas de concreto vazias, ele parecia bem pequeno e visualmente solitário – logo descobriria que não era apenas visualmente. Não resisti à curiosidade. Depois de várias voltas no campo, observando ele ali sentado, sem se mexer, parecendo uma estátua, resolvi que iria falar com ele antes de sair.

Aproximei-me meio sem graça, esbocei um convincente sorriso e ataquei: Boa noite!… Minutos depois estávamos conversando como velhos amigos. O homem tinha uns trinta ou trinta e cinco anos. Aparência de professor de História ou aluno de Ciências Políticas ou afins – obviamente uma barba preponderante, maior do que a maioria dos homens usam quando querem apenas ter uma barba e não somente passar uma imagem de intelectual de alguma ciência alternativa ou ideia política subversiva (risos). Mas, além da barba, ele tinha o restante do corpo branco, magro, retraído, queimado de sol. Afora isso, era bonito, até mesmo atraente de um jeito incomum. Era triste, mas doce. Um rosto acolhedor. Meio sorriso estático, permanente. O olhar era meigo. Quase suplicante. O aspecto geral de sua figura era de alguém confuso, perdido. Estava bem vestido. Uma camisa polo listrada de fundo azul escuro, uma calça jeans razoavelmente nova e tênis. Um típico homem de um grande ou médio centro urbano à paisana.

Naturalmente, deduzi que ele era um dos moradores do bairro nobre onde estávamos, algum professor ou crítico literário. Ele (à revelia de todas as evidências contrárias: boa aparência, inteligente, desenvoltura de trato, charme, controle das atitudes, etc) era um morador de rua. Ou, como é o mais “politicamente correto” atualmente – apenas mais um ridículo e ineficaz eufemismo -, uma pessoa em situação de rua. Havia se mudado para a cidade onde resido atualmente há onze anos, vindo da cidade de Araraquara, no estado de São Paulo. Depois de perder os pais, a irmã e o marido dela ficaram com a casa e ele, não tendo onde morar, migrou em busca de emprego e uma vida nova na capital. No começo, trabalhou num mercado, mas foi demitido e, antes de encontrar outro emprego, estava na rua. Já morou na Avenida Paulista, dormiu embaixo de todos os viadutos, pontes, marquises, no Parque Ibirapuera, onde for mais seguro e quente ele acampa. Para sobreviver, faz artesanato com diversos materiais recicláveis, porque não gosta de pedir. Disse que não usava drogas e apenas tinha sido alcoólatra há muitos anos, mas agora se mantinha sóbrio. E parece ser sincero. Mantém aquela concentração quase dolorosa dos sóbrios. Um hippie nas ideias e nas atitudes. Terminou o ensino médio e tem vasto conhecimento geral, especialmente de política, filosofia, astrologia e música. Recusa-se a ter um celular para não agredir o meio ambiente. Fala do consumismo e da incapacidade do dinheiro em trazer felicidade.

Um idealista, um inconformado, um vencido pelo sistema – ou decidiu vencer o sistema se afastando dele? Disse que não quer mais sair das ruas, que não se adaptaria a um emprego normal e que não tem sonhos, além do sonho de não ir para o inferno. Sim. Inacreditavelmente o meu amigo mendigo acredita em Deus. Não tem religião e nem vai a igrejas, mas acredita no criador do mundo, da vida e ainda que ele está muito insatisfeito com o estado atual do mundo. Não soube responder, porém, quando lhe perguntei por que ele não faz alguma coisa a respeito, já que está insatisfeito. Sorriu. O meu amigo apenas sorri quando nada pode fazer. O sorriso quase apagado é sua marca no mundo.

Precisava voltar para casa, mas a chuva chegou antes. Torrencial. Ele quis me acompanhar até perto de minha casa para me proteger no caso de algum ataque do mal. Deixei. Caminhamos na chuva por algumas centenas de metros, na avenida principal do bairro. Conversa animada e simpatia mútua. Ele estava encantado com o fato de eu não ter medo dele, nem nojo, nem suspeita – confesso aqui que a suspeita não estava de todo ausente, mas não me deixo vencer facilmente. Por isso me despedi um pouco antes de minha casa, alegando que faria o restante do caminho correndo. Um dos homens mais gentis e esclarecidos que já conheci. Um Cidadão do universo. Um resistente. Eis mais um exemplo das maravilhas do inusitado em nossas vidas, Clara. Eu guardo estes sujeitos em minha formação humana como livros lidos. Livros transformadores.

É dessa resistência que a humanidade necessita. E nisso, Clara, a gente se ajuda. A gente se anima e seguimos assim, confiantes, entre palavras e rumos. Solidão não é coisa boa em todas as horas. Solidão tem hora certa para ser boa. A presença das pessoas, em todos os cantos, o convívio com elas, mesmo sendo em momentos de exercitar o corpo, auxilia o desenrolar da vida e até nosso autoconhecimento. A prática de alguma arte marcial é por mim observada como uma ponte para nós mesmos. Trabalha-se muito o equilibrio entre a força e a mente. Já experimentou a prática de alguma, Clara?

Tem graça sim, Clara, a tua comparação político-futebolístico. Torço para que as coisas se ajustem por aí e que os discursos todos sejam cumpridos em verdade. Aqui no Brasil, o panorama político – se é que se pode classificar assim – não anda nada animador. Fizeram um rombo enorme na nossa maior empresa estatal, a Petrobrás, e agora os corruptos estão se degladiando para ver quem escapa com menos feridas. Uma jogatina de interesses que dá nojo de ver, Clara. Coisa sem tamanho! Coisa imensa!

E mesmo imaginando todas as belezas que me contas, Clara, as suas, as da Cris, as da Sant’ana, mesmos suspeitando de tudo, vou aí de igual maneira. A vontade só aumenta e um dia seremos nós todos, juntos, em apreciação do Belo e da Vida. Dar-nos-emos inteiros, por amor ao amor e ao outro. Ah, Clara, e este relato final! Quanta sinceridade em sua fala! Pois que a vida só tem sentido se compartilhamos ela, em doação mesmo, em todos os aspectos. E são nestas doações de nós que nos fortalecemos. Não é assim com o ofício do texto, da palavra? Para quê serviriam se não pudéssemos partilhá-las?

Com um rude apreço por ti e por todos que te cercam, despeço-me por hoje, Clara. Na certeza de que o Atlântico não é tão grande assim.

Beijos deste marinheiro embarcado no sem-destino, corajoso o suficiente para adentrar o alto-mar.

Caruaru-PE, 06 de março de 2016.

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Clara e Viana são dois amigos de longa data que se redescobrem e desenham o mundo à sua volta pelas palavras que encontram, que constroem e que usam para pintá-lo. (De longa data em face da finitude da vida, recentes diante da imensidão da eternidade). Mas, que importa isso? Eles propõem-se descobrir dois universos complementares, sem artifícios nem maquilhagem, para além das máscaras habituais, as que protegem o ser humano da solidão e das agressões.

Clara e Viana são dois heterónimos, duas personagens que ganham vida através do tempo, do ritmo da palavra e do sabor dos respectivos sotaques.

Luísa Fresta e Germano Xavier dão vida a este projecto.

* Imagens de Cristina Seixas.

Germano Xavier

Germano Xavier

Mestre em Letras, jornalista profissional (DRT BA 3647), escritor e coordenador geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS.

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