Festival Planeta Terra 2009 – Playcenter, São Paulo

Sonora Main Stage
Quem diria que seria em um parque de diversões um dos maiores festivais de música no país em 2009? A aposta da organização do Festival Planeta Terra – que perdeu o local das duas edições passadas do evento, a elogiadíssima Vila dos Galpões – foi levar o maior número de pessoas possível ao Playcenter. E um fato ficou evidente pra quem esteve presente no parque, no último sábado (7): os organizadores do festival não poderiam ter tido uma sacada mais genial e acertada.
Em março passado, a Chácara do Jockey, também em São Paulo, sediou o Just a Fest – festival que não só ficou marcado por ter conseguido reunir o Los Hermanos, como também trouxe, além do Kraftwerk, o todo poderoso Radiohead, que protagonizou o melhor e mais catártico show que o Brasil pôde presenciar nos últimos anos. “Como superar tal feito?”, devem ter pensado os responsáveis pelo Planeta Terra. Bem, não sei se conseguiram superar Thom Yorke e cia., mas a pontualidade certeira das atrações somada a banheiros limpos, filas aceitáveis para comprar e consumir bebidas e comidas e a possibilidade de andar de montanha-russa, carrinho bate-bate e entrar no Castelo dos Horrres (hehe) fez com que quase esquecêssemos de que haviam dois palcos em lugares distintos do parque onde aconteceriam performances de Sonic Youth, Primal Scream, Iggy Pop, Maximo Park, The Ting Tings, Móveis Coloniais de Acaju, etc.

Móveis dedicou grande parte de seu show ao novo disco – C_mpl_te
Começando pontualmente as 16h, o trio cuiabano Macaco Bong subiu ao palco do Main Stage para dar início ao festival com uma linda performance instrumental enquanto o sol em São Paulo chegava, facilmente, a uns 30°. Pausa para tomar uma Heineken (sempre gelada, aliás – vale ressaltar mais esse gol a favor do festival) e esperar a “feijoada búlgara” da big band brasiliense Móveis Coloniais de Acaju. E que showzaço! Com presenças de palco e simpatias impecáveis, os integrantes logo conquistaram a pequena platéia inicial mas que, ao final da apresentação do grupo, já teria triplicado, no mínimo. Às 19h foi a vez da primeira atração internacional da noite: os ingleses do Maximo Park, que fizeram um ótimo e agitadíssimo show para os fãs e que também roubaram a atenção de quem não os conhecia. Destaque para o hit de 2005 “Apply some pressure“.
Acabado o show, resolvi ir no Turbo Drop (sério, quase morri de tensão na queda do “brinquedo”). A fila tava um pouco grande mas achei que daria tempo de ir e ainda voltar para pegar o começo do show do Primal Scream. Estava errado. Perdi os 15 minutos iniciais do show de Bobby Gillespie e sua trupe escocesa. O restante do show foi morno, deixando a sensação de que a lendária banda que, um dia, já fez o icônico Screamadelica, poderia ter se esforçado mais para agitar o público – que, a essa altura, já lotava a área do Palco Principal à esperava do Sonic Youth.
E às 22h subiam ao palco a razão pela qual eu fui ao festival: Kim Gordon, Lee Ranaldo, Thurston Moore e Steve Shelley (acrescidos do baixista do Pavement, Mark Ibold) empunharam seus instrumentos e assim começava o show da maior banda de rock alternativo da história: Sonic Youth. E, como já era previsto (pelo menos por quem estava acompanhando a turnê atual dos caras), a banda tocou grande parte de seu último disco – The Eternal – junto com pérolas dos clássicos Daydream Nation e Sister. Apresentação impecável que, pelo menos pra mim, levou o honorário título de “Melhor show da noite”.

Kim Gordon e sua dancinha giratória em “Jams Run Free”
Depois da exaustiva maratona no Main Stage, resolvi cometer o que para muitos será chamado de “sacrilégio sem tamanho”: troquei a “lenda do punk” Iggy Pop pelo show simpático e energético da dupla inglesa The Ting Tings. E sabe que não me arrependi? O duo de, hã, indie electro-pop (?!) conseguiu manter uma animação absurda durante todo seu curto set e, assim, fechou a noite para as bandas no Coca-Cola Zero Stage, deixando o palco a cargo de DJs (entre eles, a ótima dupla N.A.S.A.) até às 4h30.
Com mais de 12 horas ininterruptas de som e misturando vários estilos, o Festival Planeta Terra completou sua terceira edição – que, se não foi a melhor em termos musicais, pelo menos foi a mais divertida e mais bem organizada e estruturada, em todos os aspectos. E, sobre a parte musical, talvez não tenha sido tão acertada a ideia de trazer hypes antigos (??) como Maximo Park e Ting Tings (apesar de seus bons shows), mas um line-up que tenha Sonic Youth entre seus headliners dificilmente pode se dar ao luxo de ser questionado.
.
Para acompanhar mais notícias e resenhas específicas sobre o festival, acesse o Move That Jukebox!.
Fotos: Terra
Por Neto Rodrigues
Neto Rodrigues - "Basicamente sou uma pessoa movida por música e internet. Passo meus dias escrevendo sobre música e cultura pop em geral nos blogs Move That Jukebox (movethatjukebox.com) e Why So Pop?"
Compartilhe:





























