de profundis

De tempos em tempos ele atravessa a fronteira
e ruma para o “sul de qualquer lugar”, deslizando em audácia festiva.
Imigrante, passa por locais onde em sonho esteve.
Pontua, tatuado em seu braço, as intensas noites de lua cheia, as algazarras, as festas e as indeléveis sensações.
Rememora e ultrapassa pensamentos.

Há sempre solidão ao estar junto a multidões.
Há sempre um dia que pode ser outro, novo.

Infinitamente pesaroso do passado, se alivia ao nascer do sol. Cada um deles agora abre um rasgo em seu peito e inunda de luz sua vida.
Na profundidade da noite escura, enlameado sob o manto das estrelas, circulado pelos anjos da guarda dos vagabundos, se absolve e se perdoa.

Bate um vento frio no seu queixo.

Como um jab d’um boxeador costarriquenho, o perdão atinge seu coração.

Robisson Sete

Robisson Sete - Lançou em 2009 seu primeiro livro, “13 poemas ácidos no bolso da calça”. Participa do Coletivo GOMA e do Fora do Eixo Letras. É músico, jornalista e publica desde 2007 seus poemas e escritos no blog Hotel Sete.

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1 Comentário

  1. Sul de qualquer lugar? Norte pra quem lê, força pra terminar, acho belo esse poema, belo.

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