Espera Eterna

Na fila do banco,
um cidadão meio manco
a esperar.
A fila não anda,
vai demorar.
O cidadão cansado
senta ao lado,
num canto.
Suplica a um santo.
Nada resolve.
Tudo permanece.
Cansado
não esquece,
adormece.
Dias se vão.
Noites se vão.
As portas do banco
abrem e fecham.
O pobre cidadão,
negro,
cansado,
faminto,
isolado,
nada vê,
mas em Deus crê.
Agora, no céu.
No único lugar
onde não há diferenças,
entre raças ou crenças.
O pobre cidadão
faleceu,
mas ainda com bom coração,
pois foi assim que sempre viveu.

Mariana Borges Bizinotto - Mariana Borges Bizinotto é poetisa, fotógrafa e estudante de Artes Visuais na Universidade Federal de Uberlândia. Mantém o blog Reflexos da Existência Humana.

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