Foram-se as vidas e ficaram as riquezas

Todas as vezes que se fala sobre o World Trade Center, as imagens da tragicidade daquele onze de setembro povoam a memória como se os fatos tivessem acabado de acontecer.

Ao longo da história da humanidade é incrível como nunca foram perdidas oportunidades para demonstrar a superioridade da força e do poder de um grupo sobre outro. Sobre a raça humana a lei do instinto de sobrevivência não vigora como premissa, por isso a carnificina, o derrame sanguinário de milhares de vidas mancha de horror a sua trilha.

E de que adianta a barbárie? Apegados nas tábuas da loucura, do fanatismo em todas as suas instâncias e nada de proveito se edifica. Entre mortos e feridos, centenas de milhares de pessoas comuns alheias aos conflitos e discórdias vigentes no mundo, de repente submetidas ao sacrifício. Passam-se os séculos e as arenas do terror vigoram em diferentes versões.

O onze de setembro passou, deixou-se símbolo para a história contar e jamais esquecer. Entretanto, exemplos que vitimam, interrompem vidas, alteram trajetórias de progresso e desenvolvimento, continuam a acontecer ao redor do globo. Mais do que a análise pontual daquele dia, o veio de sangue, dor e lamento parece impossível de estancar.

Que futuro esperar de uma civilização que só se enxerga individualmente e hasteia bandeiras em benefício próprio? É evidente que nessa massa há exceções; mas, não está nas mãos destes a condução da humanidade. Somente um cataclismo radical no caminho do homem para fazê-lo repensar o ontem e o hoje e traçar novos rumos para o amanhã. Em nome de tantos desmandos é que a preservação da vida humana, de s ua força motriz e capacidade intelectual se fazem tão necessária.

Mais do que reconstruir as Torres Gêmeas, superar as perdas, é o planeta como um todo que está em escombros e pedindo socorro urgente. Aprender com o passado, nem tão longínquo, é sinal de sapiência para dar respaldo e motivação transformadora. Se a saga dessa gente continuar a ser construir holocaustos, devastar com tiros e bombas, seu retorno ao pó será mais breve do que pode esperar.

Foram-se as vidas e ficaram as riquezas… A balança sinaliza desfavorável à humanidade.

Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).

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