Karate Kid
Finalmente uma ótima refilmagem
Começo essa crítica dizendo que antes de assistir a esse filme não criei muita expectativa justamente para não sair frustrado do cinema já que a maioria das refilmagens de clássicos antigos nos decepcionam. Então após ver o novo Karatê Kid sai da sala de projeção extremamente empolgado com o que acabara de assistir. E digo: “depois de muito tempo, finalmente uma boa refilmagem”!
Com algumas boas mudanças no roteiro original, com a substituição do Karatê pelo Kung Fu e com a inclusão de nomes diferentes para os personagens principais, em minha opinião, este novo Karatê Kid consegue superar o original de 1984 e suas sequências. E explico o porquê! Pra começar a história é bem parecida, mas consegue ser mais comovente já que ao invés de jovens, usa crianças em sua trama. E ver uma criança chorando ou sorrindo já é algo que naturalmente nos causa mais emoção. E assim é que acontece durante toda a produção, especialmente com o personagem Dre, interpretado de forma magistral por Jaden Smith. Mas o roteiro não se basea simplesmente nessa premissa. Mostra valores importantes para a vida de qualquer um, especialmente das crianças que podem ser moldadas de acordo com uma boa educação. O respeito ao próximo, a humildade, a superação dos limites, a honra, a amizade, a disciplina e o amor são constantemente abordados no filme.
Falamos um pouco das interpretações e nesse ponto começo com os atores coadjuvantes. Taraji P. Henson faz uma ótima mãe! Chora, sorri, pula, torce pelo filho. Muito boa! Wenwen Han pode não ter grandes falas, apesar de estar sempre em quadro. Mas consegue nos cativar só de mostrar um sorriso lindo e a inocência de uma criança que começa a descobrir sobre o amor e a amizade. Com relação aos atores principais, Jackie Chan sem dúvida faz o melhor papel de sua carreira interpretando o “Mr Han” ou o novo “Senhor Miyagi”. Nesse filme ele deixa de lado as “comédias ninja” que sempre participa e encarna um personagem mais fechado, sofrido, sério. Mas cxom bom humor em alguns momentos. Destaque para as ótimas coreografias de luta criadas por ele! E por fim Jaden Smith que também faz a melhor interpretação de sua curta, mas promissora carreira. O personagem Dre, ou o novo “Daniel Larusso”, é sem dúvida a grande atração desse remake. Durante os 140 minutos de filme o público viaja com a interpretação do garoto Smith. Como uma criança é capaz de mudar nossas emoções a todo momento durante o filme? Ele nos faz rir (demais), chorar, torcer, ficar com dó, etc. Uma atuação digna de um ótimo ator veterano de Hollywood.

A trilha sonora é outro atrativo fundamental para um filme tão empolgante assim. Como nos originais, as músicas parecem ter sido escolhidas com muita responsabilidade já que dão a impresão que cada uma foi feita para um momento importante do longa. A fotografia é outro forte. Cenários com paisagens maravilhosas como a muralha da China e a Cidade Proibida são cartões postais muito bem usados na trama. E pra terminar, claro, as artes marciais. Ao contrário do original, esta nova versão tem mais ação, mais lutas, mais coreografias. E o jovem garoto, apesar de magrinho, dá um show de “Kung Fu Kid”, que aliás seria o nome da refilmagem, mas como o título antigo é forte e comercialmente viável, ficou por isso mesmo: Karate Kid.
Nota 10
Por Kelson Venâncio
Sinopse: Dre (Jaden Smith) vai com sua mãe para a China contra a sua vontade para que ela possa trabalhar. Ele não conhece a língua e tem dificuldades de se relacionar com as crianças de lá. O jovem sofre agressões verbais e psicológicas que não demoram a chegar à agressão física. Ele, então, conhece Mr. Han (Jackie Chan), que se oferece para lhe ensinar mandarim e artes marciais.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Harald Zwart
Elenco: Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Wenwen Han, Rongguang Yu, Zhensu Wu, Zhiheng Wang, Jared Minns, Shijia Lü
Produção: Dany Wolf, Jada Pinkett Smith
Roteiro: Michael Soccio
Fotografia: Roger Pratt
Trilha Sonora: Atli Örvarsson
Duração: 140 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Columbia Pictures / China Film Group / Overbrook Entertainment / Jerry Weintraub Productions
Classificação: 10 anos
Kelson Venâncio - Jornalista premiado, diretor de Comunicação da Câmara Municipal de Uberlândia, editor e apresentador do TVU Notícias (UFU) e diretor do site e programa de TV Cinema e Vídeo". www.cinemaevideo.com.br



























Kelson, estou contigo na nota 10 para o remake de Karatê Kid. Que delícia ver a interpretação simples porém sincera do pequeno Jaden. Da forte interpretação de Jack Chan. Do lindo cenário da China, da trilha sonora e da fidelidade aos pontos mais fortes do original.
Saí do cinema extasiada.
Boa crítica!
Kung fu…Opa! Karatê Kid.
Quem é que não se lembra de ‘’Karatê kid – A Hora da Verdade ‘’ de 1984, eu pelo menos já vi incontáveis vezes, na boa época da sessão da tarde. A história do garoto Daniel que é perseguido por uma gangue ‘barra-pesada’ na nova cidade, e que certo dia se vê salvo dessa gangue por um veterano japonês mestre na arte do karatê. Disposto a ajudar, o velho Miyagi resolve passar-lhe os ensinamentos do karatê ao garoto, para que ele possa se defender da gangue de Johnny, que também luta karatê, e assim enfrentá-lo em uma competição. The Karate Kid foi um filme de sucesso inesperado, e sequências eram inevitáveis, mais nenhuma delas superou o original, tanto em público, bilheteria ou crítica. Isso acontece pela já conhecida ganância dos produtores de Hollywood, vêem apenas o dinheiro, a história não importa. Até a pobre da Hilary Swank se meteu numa dessas, por sinal a pior das seqüências.
Agora no quinto filme, temos não apenas um mero remake, na verdade uma nova versão já que algumas coisas foram mudadas, mas talvez um filme comparável ou superior ao original. Tudo bem, eu sei que clássico é clássico, mas não é sempre que Hollywood nos surpreende com filmes assim. O longa é dirigido por Harald Zwart (A Panterea Cor de Rosa 2, O Agente Teen) e tem Will Smith como produtor, com a intenção de criar um veículo de promoção para o seu filho.
Na nova história Dre Parker (Jaden Smith) é um garoto de 12 anos que morava em Detroit no estado de Michigan, mas devido ao trabalho de sua mãe acabam tendo que ir morar na China, contra a sua vontade, claro. Ele não conhece a língua local e tem dificuldades de se relacionar com as demais crianças. Logo Dre se apaixona por uma garotinha e começa a ser perseguido pelos garotos lutadores de Kung Fu da escola e acaba sofrendo agressões físicas. Durante uma dessas agressões é salvo por Mr. Han (Jackie Chan) o zelador do seu prédio, Dre recorre a ele para aprender Kung Fu (acho que o Karatê saiu de moda). E coloca o garoto no campeonato de luta para enfrentar devidamente os garotos que o provocam.
Bem, a nova história pode até ser baseada na do original, mas o filme se inova além de trocar o Karatê pelo kung Fu. Nos dois filmes tanto Daniel quanto Dre, são obrigados a mudarem de cidade por causa de suas mães, a diferença é que Daniel foi para Los Angeles, já Dre foi para Pequim na China. Foi uma boa mudança, não só pelo Oriente ser a terra das Artes Marciais, mas também pela paisagem, deslumbrante por sinal, a vista da Muralha da China, as montanhas, os cenários bem construídos. E como é um filme de 140 minutos direcionado ao público juvenil tem que ter muitos pontos favoráveis para não cair na chatice. O começo não é tão cativante, eu diria que depois que Jackie Chan aparece é que começa a ficar interessante, nada contra o pequeno Jaden Smith, alias se revelou um bom ator, tal pai tal filho, e manda bem nas coreografias. Mas o grande destaque é Jackie Chan, esqueça a imagem do atrapalhado lutador de comédias bobas, mas engraçadas. Aqui Chan nos faz esqueçer dessa imagem com uma bela atuação, nos passando perfeitamente todos os sentimentos de seu personagem, principalmente a tristeza pela perda dos filhos, em uma cena um tanto emocionante. Jackie Chan com certeza é um grande mestre e foi a melhor escolha para o filme. Eu gostaria que sua atuação fosse mais bem reconhecida, mais é difícil a academia reconhecer atores que se consagram por um gênero só, como no caso de Chan a ‘comédia de pancadaria’, assim com Jim Carrey que passou várias vezes despercebido nessas cerimônias.
O modo como Mr. Han treina Dre é bem interessante, com algumas cenas originais e empolgantes. A sequência do ‘‘ Pega casaco, pendura casaco, bota casaco, joga casaco…” é engraçada e competente na mensagem que tenta passar,de que kung fu é muito mais que socos e habilidade, mas sim maturidade e calma. As cenas de luta são muito bem coreografadas, Chan já é veterano e Jaden de certa forma também, já que treina desde pequeno.
Mas eu diria que o filme é mais bonito no sentido de mestre e aprendiz, ambos aprendendo a encarar a vida no sentindo real de artes marciais. É simbólico, passa uma boa mensagem não só para as crianças e jovens, mais para os adultos também, coisa rara de ver em filmes comerciais. No final tem aquela mesma situação clichê, mas competente: Dre ganha o campeonato, mesmo com algumas dificuldades e as trapaças do seu adversário, este se arrepende e passa pro lado do bem. No fim o garoto e seu mestre se sentem vitoriosos, não pelo troféu na mão, mas pelo que eles ganharam na alma. Vencer após uma jornada cheia de obstáculos! E talvez muitos falem que nada tem haver com o original, mas não o veja como um mero remake, mas sim como um filme que tem muito a oferecer.
The Karate Kid foi um grande sucesso comercial, com um orçamento de 40 milhões de dólares, o filme arrecadou em sua terra natal 176,591,618 milhões de dólares e no resto do mundo mais 181,842,456 milhões, dando um total de 358,434,074 milhões de dólares! Um belo recomeço para a franquia, ou alguém duvida?