Toma Poesia;

Por Ricardo Abdala

A barba cresce e polui o rosto
enquanto ouve o canto lírico dos orixás
e a vista embaralha o olhar sobre as lentes,
da ótica imprecisa que vence a guerra.

Vivem alguns, outros morrem,
Tudo se resolve
E ele carrega consigo as chagas poéticas,
feitas de aço, feridas a ferro, fundidas a vácuo,
misturadas a carbono 14.

Mas saiu depressa de casa
antes mesmo de escrever e engolir o poema:
- Alívio imediato para o peito vazio -

e levantou as mãos para o céu,
pegou no ar, pedaço de papel de pão
e sugou os rabiscos finais de seus sentimentos

macarrônicos.

Fez de sua poesia
Uma ode escrita: vale uma sobrevivência.
Bebeu – a e seguiu em frente.

Depois sentou – se a uma mesa de bar e pediu:
“Um si maior, por favor.”

Em todos os Tons
somos engolidos como em doses homeopáticas.
Mais um trago?
Não sei…
Pergunte aos nossos amigos…

Ricardo Abdala - Engenheiro registrado no papel e um músico pela vida, o que faz mesmo é correr em volta de um lirismo que a própria vida, com suas facaneias pungentes, insiste em retirar de nossos olhos.

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