Resenha do Livro dos Mandarins
Promoção “Boa Leitura”
Em sorteio realizado dia 01 de fevereiro de 2009, às 12 horas, com autorização de Beatriz Vasconcelos (Livraria Nobel) e Sérgio Evangelista (Página Cultural), o exemplar (uma unidade) “O Livro dos Mandarins” (Editora Aufaguara) do autor Ricardo Lísias fica para:
Cláudia Regina Ravenna Pinheiro Salmin
O livro será entregue na Livraria Nobel a partir de quarta-feira, dia 03 de fevereiro.
Praça Cícero Macedo, 03 – Fundinho – (34) 3229-0100 / 3229-0103.
Importante: o livro não será entregue sem a apresentação do documento de Identidade.
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Por Walber Schwartz – Na entrevista que concedeu a este site, depois das provocações que fiz sobre o seu gosto pelo xadrez e a recorrência desse jogo em sua literatura, Ricardo Lísias garantiu que em seu novo romance não haveria um lance sequer. Verdade. Embora logo no primeiro capítulo faça menção a um de seus jogadores preferidos, o americano Bob Fischer – uma espécie de homenagem póstuma (ou premonitória?) ao enxadrista morto em 2008 – não há descrição de partidas ou jogadas.
Por outro lado, o espírito enxadrista desse jovem e talentoso escritor permeia todo o texto. Arriscando uma metáfora, digo que Lísias conduz o livro de forma análoga a dos mestres do xadrez num embate. Faz movimentos escancaradamente óbvios e repetitivos, cheios de certezas aparentes, para ocultar seus reais intentos. Joga com os peões a maior parte do tempo levando o leitor (oponente?) a acreditar que tem o livro (jogo) sob controle. Não tem. Logo verá. O xeque-mate é certo, mera questão de tempo.
E o que parecia ser apenas uma leitura agradável e divertida sobre as agruras de um executivo ambicioso que postula a direção da filial de um grande banco na China, transforma-se numa das narrativas mais surpreendentes e ousadas da literatura contemporânea brasileira. É um choque, garanto.
O leitor irá descobrir, com prazer, que o narrador é solidário à dor das personagens e, por vezes, enlouquece com elas. Esse encurtamento de distância acontece também entre as próprias personagens. Genéricas, como peões, só têm importância pela posição que ocupam no tabuleiro em determinado instante; seus nomes, por exemplo, pouco importam. Podem ser qualquer um, mais de um, ninguém, de qualquer país. Nesse momento, o autor corre seu maior risco: confia e se entrega corajosamente ao leitor. Lísias não faz concessões, não facilita, brinca com referências não-óbvias e não perde a piada – muito menos a explica diretamente. Deixa por conta de quem lê. E, como numa manobra de Mecking, por mais que pareça absurdo a certa altura, tudo se encaixa e faz sentido no desfecho.
A violência psicológica é explícita e, infelizmente, real. Qualquer pessoa que tenha alguma experiência com grandes empresas vai rapidamente reconhecer situações que viveu ou presenciou, mas seria uma redução inaceitável tentar classificar O Livro dos Mandarins como um romance sobre o ambiente corporativo.Talvez Lísias tenha escolhido justamente esse cenário glacial, asséptico, habitado por homens aparentemente superiores, simulacros do Übermensch nietzscheniano, para servir de contraste à revelação da inexorável condição humana que emerge de seus “Paulos” em toda sua fragilidade.
O homem sofre. Dentro de um banco ou de um consultório médico, seja algoz ou vítima, sofre. E o mais cruel: está só. O homem e sua dor andarilha.
Por Walber Schwartz (Twitter)
Leia entrevista com Ricardo Lísias.
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