As Mulheres e suas Cores

Dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Fiquei pensando a respeito daquelas coisas deliciosas que só as mulheres têm, e que por ser só delas adquirem um quê todo especial. Muitas dessas coisas, para nós homens, constituem grandes mistérios. Bom exemplo são as cores. Já reparou como, com a licença do duplo sentido, as mulheres têm muito mais cores do que nós?

Para mim as cores do mundo são as seguintes: branco, preto, azul, amarelo, verde, marrom, vermelho, roxo, cinza, laranja e… bom, que eu me lembre é só. Simples.

Digo mais: para homem não existe essa coisa de cor da moda. Aliás, dizem que para o homem que é homem mesmo moda é um substantivo desconhecido. Já experimentou perguntar a uma mulher, qualquer mulher, de qualquer idade, qual é a cor da moda? Certamente você ouvirá uma daquelas respostas que só outra mulher entende, mesmo que quarenta homens estejam por perto acompanhando o papo.

Aproveita o dia da mulher e faz o teste, depois me conta.

Um teste prático: imagine o amigo uma blusa carmim. Pronto? Não há como imaginar, não é, velhão? Eu te entendo… Há algum tempo a cor da moda era berinjela. Sei disso porque minha mulher me contou. Contou mas não explicou, e eu fiquei que nem um bobo, mas também não perguntei. Afinal, macho não liga pra essas coisas. É claro que disfarçadamente perguntei ao Gúgol, esse filho vigoroso do finado Aurélio, de quem ninguém mais se lembra. Materializou-se na telinha a tal cor. Ora, ora, mas é o velho roxo! Saberia o amigo me dizer por que as mulheres rebatizam as cores que já têm nome?

Houve uma época que a cor fúcsia me intrigava (e continua intrigando)… E a salmão? Mas salmão não é peixe? Pois é, amigo, é peixe para os brutos. Pergunte à sua mulher e você descobrirá que salmão é uma cor que, no passado, atendia pelo nome de laranja. Pois é, a fruta virou peixe. Sim, eu sei que há variações. Claro e escuro. Azul. Azul claro, azul escuro. Vermelho. Vermelho claro e vermelho escuro. Não está bom. Parece que pra elas não.

Já ouviu falar em cor gelo? Marfim? Turquesa? Jade? Vanila? Putz… Isso pra não falar na família de cores pastel. Oh, mistério insondável! Ainda que eu falasse a língua dos homens, ou falasse a língua dos anjos, a respeito das cores pastel eu nada saberia. Parece inclusive que existe pastel frio e pastel quente… Será na feira?

Já ouviu uma mulher falar em pantone? Deus, que cor será essa!?

Calma, moça, não desista da crônica, as minhas ignorâncias cromáticas já estão acabando. Só me deixe ajudar o leitor de cromossomo ípsilon com uma breve lista traduzida para livrá-lo de dúvidas: cereja (vermelho claro), aspargo (verde normal), anil (azul claro), ameixa (roxo comum), bronze (marrom), cáqui (marrom também, pouquinho mais claro), bordô (vermelho escuro), índigo (vinho), rubi (vermelho de novo), e por aí vai.

Um último aviso aos rapazes durões. Atenção: certas coisas só são bonitinhas nas mulheres. Portanto, use o Dia Internacional da Mulher para se lembrar que, neste ou em qualquer outro dia do ano, há de se deixar as meiguices para elas, só pra elas.

Então, não vá me sair por aí dizendo que aquela sua jaqueta marronzona, de couro agreste, curtida no pó da estrada, é ocre. Faça-me o favor!

E salve as mulheres!

“Esta crônica integra o livro do autor A Idade do Vexame & Outras Histórias – Pontes 2011”

Cesar Cruz

Cesar Cruz

É paulista da Capital. Nascido em 1970, escreve contos, crônicas e artigos, além de fazer consultoria e revisão textual sob encomenda. Tem 4 livros publicados: O Homem Suprimido, Scortecci – 2010; A Idade do Vexame & Outras Histórias – 2011, A Invasão dos Horácios – 2013 e Território Conquistado – 2015, todos os três últimos pela Pontes Editores. Blog: Os Causos do Cruz.

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