Nova hipótese sobre o caso “Syd Barrett”

Syd Barrett me desperta interesse desde a adolescência. É sobre ele um capítulo do meu livro “Ensaio sobre The Dark Side of the Moon e a Filosofia”. A sua biografia é uma das que mais causam discussões na história recente, pois inclui elementos da arte (música, literatura, pintura), psicologia, psiquiatria, dentre outras áreas.

Segue a tradução que fiz de uma matéria, publicada originalmente em italiano, sobre uma nova hipótese a respeito do estado de saúde mental de Syd, que o levou a interromper precocemente a sua carreira como cantor, guitarrista e compositor, embora não o tenha impedido de seguir desenhando e pintando.

Não averiguei as informações do texto, limitei-me a traduzir.

Pesquisa italiana revela: Syd Barrett sofria da síndrome de Asperger *

Estudo publicado na revista “Clinical Neuropsychiatry” analisou os sintomas do “mal-estar” do guitarrista e fundador do Pink Floyd, e concluiu que não era esquizofrenia, como se acreditava.

A história de Syd Barrett, fundador do Pink Floyd, morto em 07 de julho de 2006, aos 60 anos de idade, continua a fascinar não apenas os fãs da banda, mas também o mundo da medicina e da ciência. A última hipótese sobre o comportamento do músico de Cambridge é descrito em uma pesquisa italiana publicada na “Clinical Neuropsychiatry” por Mario Campanella:

Barrett sofria de síndrome de Asperger? A publicação: Syd Barrett: was he suffering from schizophrenia or Asperger’s syndrome? (Syd Barrett: ele sofria de esquizofrenia ou síndrome de Asperger?) – É o primeiro estudo a examinar a hipótese de que o grande músico inglês estava sofrendo desta forma particular de autismo, com um transtorno de personalidade esquizóide para justificar sua ausência do cenário musical, desde 1972 até sua morte.

“Nascido em Cambridge em 1946 – lembra Campanella – Barrett experimentou, na década de sessenta, as drogas alucinógenas daquele período. Fundador do grupo Pink Floyd, Barrett permaneceu por dois anos, juntamente com os companheiros históricos (Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright), antes de ser substituído por David Gilmour”. Posteriormente, e por três anos ou mais, Syd Barrett fez carreira solo.

As premissas contidas na publicação, coordenada por Donatella Marazziti, diretora científica da “Fondazione BRF Onlus”, defendem a hipótese de que o músico sofria de síndrome de Asperger e não de esquizofrenia, tal como tinha sido anunciado anteriormente.

“A sinestesia – escreve Campanella – sua paixão pelas cores, o comportamento inconstante, típico dos aspergerianos (aspergeriani), o isolamento, e a atração pela pintura, favorecem a hipótese de Asperger. O portador da síndrome de Asperger pode relacionar-se socialmente – continua o autor, em uma nota – mas, neste caso, o quadro foi agravado por um uso imoderado de drogas e a presença de um transtorno de personalidade do tipo Cluster A**. Além disso, nunca houve prova de que Barrett tenha sido hospitalizado em um hospital psiquiátrico, ele nunca recebeu um diagnóstico de psicose e as alucinações e delírios, mencionados em sua biografia, podem ser atribuídos ao longo período em que eles consumiram drogas”.

O artigo relata a história da visita que foi realizada por Barrett a Ronald David Laing*** (R. D. Laing, 1927 – 1989), famoso psiquiatra escocês, autor do best-seller “The Divided Self” (publicado no Brasil pela Editora Vozes, com o título “O Eu dividido”), que não formulou qualquer diagnóstico psicótico sobre Syd.

 A Syd Barrett foi dedicado um grande sucesso do grupo, Wish You Were Here, lançado em 1975, que também contém Shine on You Crazy Diamond, música que esteve durante 15 anos nas paradas dos EUA. O álbum vendeu até agora mais de 16 milhões de cópias.

* Tradução de matéria publicada originalmente em italiano aqui (acesso em 19/08/15).

** Comportamento e experiências que se desviam consideravelmente do que a cultura vigente espera, segundo o manual psiquiátrico DSM-IV-TR, da Associação Americana de Psiquiatria. (Nota do tradutor).

*** O texto original traz, erroneamente, o nome Richard Laing. O nome correto do psiquiatra escocês é Ronald David Laing. (Nota do tradutor).

Tradução: Paulo Irineu Barreto

Paulo Irineu Barreto

Paulo Irineu Barreto

É escritor e Professor do IFTM. Doutor em Geografia Humana e Cultural e Mestre em Filosofia Política e Social. Pesquisa e escreve sobre Cultura, Educação, Filosofia, Geofilosofia, Geografia e Política.

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