O Amor Não Sabe Dizer Adeus

Disseram-me que pontos finais faziam parte da sensatez de decidir entre aquilo que nos machuca e que nos contempla em alegrias. Mas, afugentar-se em pontos finais, a descobrir temerosamente a contemporaneidade de cada um deles, colecionando-os em uma eterna reticência. Dizer adeus, as vezes se repete tanto em nós, que esquecemos de dizer olá. Ah! Queria eu precisar nunca esquecer aquilo que não se esquece e dizer olá a tantas outras coisas que se perdem na primeira tentativa de reconhecê-las. O Adeus talvez não saiba como superar minhas lembranças. E mesmo assim, o pior. Ele também não deixa de contemplar-me em fulguras, pois desperta o que há de mais genuíno em mim. O amor. O amor que não sabe dizer adeus. Parece-me então, que amar seja um ato de fé. Acreditar no amor, mesmo que ele minta, machuque, fuja. Acreditar no tempo em que ele não se encontra e esperar aquele em que se descobre. E aqueles que dizem que para ser amor, não há mentiras, não há dor e nem fugas? Pois eu digo, o amor ninguém entende e ele não há de ser explicado, já que a explicação é ele mesmo. O amor simplesmente nos faz sentir, e que sentir seja exclusivo de cada um. Portanto, o amor mesmo que perdido, imaturo, cruel, não deixa de sê-lo. Afinal, nada amadurece sem que doa. Talvez o adeus não esteja maduro ainda em mim.

Camila Reffatti

Camila Reffatti

Sei que quando sinto, eu sou. Então vou sendo agora, depois agora no futuro, mas nunca esquecendo do agora que já foi. Vou sendo, até que não cabe mais ser agora.

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