O livro dos segredos do taco

O título da obra, ao contrário do que o senso comum poderia supor, não é uma compilação de receitas baseadas na iguaria mexicana. Muito menos trata-se de um manual de regras e jogadas ensaiadas daquele jogo de rua, tão comum nos anos 60 e 70. Temos aqui uma publicação única e de valor incalculável, através da qual a humanidade finalmente tem acesso a um dos mais impenetráveis mistérios de todos os tempos: a 12ª profecia de Mazzaropi, tida como perdida há muitas décadas, a despeito das inúmeras expedições empreendidas por arqueólogos do mundo inteiro a Taubaté, onde o genial caipira passou boa parte da vida.

Deu-se a descoberta por acaso, com um golpe de picareta no chão da casa em que vivia o ilustre cômico. A residência passava por uma reforma geral, e a equipe que removia os tacos do living para trocá-los por carpete de madeira descobriu, cuidadosamente acondicionado abaixo de um deles, o precioso documento dobrado em oito, assinado e autenticado por Mazzaropi no ano de 1967. Isolada a área por forte aparato policial e impedido o trânsito num perímetro de doze quarteirões adjacentes ao precioso achado, os peritos atestaram a autenticidade da relíquia mas se abstiveram de qualquer comentário quanto ao seu conteúdo.

Das 16 profecias deixadas pelo artista, 15 já eram de conhecimento público. A mais amplamente divulgada, catalogada como a de número 3, versava sobre o acidente de helicóptero sofrido por Ulisses Guimarães e dona Mora, fatidicamente previsto por Mazza 22 anos antes de acontecer. Outras bastante conhecidas tratam da extinção do Tigre de Java, em meados da década de 80, e do fim do longevo programa televisivo “Almoço com as Estrelas” apresentado por Ayrton e Lolita Rodrigues na TV Tupi, emissora tão finada quanto o citado Tigre de Java.

Todas, sem exceção, foram confirmadas nas datas previstas. Nenhuma delas, porém, causou tanta controvérsia quanto a nona. Nela, o lampejo profético do nosso Jeca cinematográfico predizia o extravio perpétuo da Profecia 12 – justamente a que estava sumida. Até aí, Mazzaropi continuava acertando em cheio; mas o fato de ter sido encontrada agora, de certa forma contradiz o enunciado da Profecia 9, colocando em sérias dúvidas a reputação de Mazza como profeta. Resta saber do que fala a Profecia 12, o assunto do livro em questão. Talvez seja, justamente, a resposta para este flagrante paradoxo. Comprem o livro, leiam e saibam.

Marcelo Sguassabia

Marcelo Sguassabia

Redator publicitário, pianista diletante, beatlemaníaco desde sempre e amante de filmes e livros que tratem de viagens no tempo.

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