Os Sonhos Macabros de Benjamin

Benjamin não podia fechar os olhos para dormir que já se via imerso em mares de pesadelos. Boa parte de sua infância se passou entre dois mundos, o que divisava diuturnamente na sociedade com suas regrinhas de casa de boneca e o que via à noite, enquanto dormia. Mas quando acordava para dentro de si, tudo era muito escuro, tenebroso, sinuoso, e por vezes as criaturas que via lá o perturbavam nas pequenas frestas vazias dos dias. Mas Benjamin tinha uma certeza enaltecedora: tudo o que via nos sonhos eram obras de seu cérebro, de seus pensamentos inconscientes ou de alguma comida mal digerida. De modo que a diferença entre Benjamin e o Ebenézer Scrooge de Dickens era realmente muito pequena. Até que numa noite teve um pesadelo tão terrível, tão terrível que implorou de joelhos ao deus que rege o sono e os sonhos dos mortais o seguinte: ó grande Hypnos, se acaso fores real, se tudo isso aqui for real, por favor, não me deixe sonhar mais para o resto da minha vida! No outro dia Benjamin acordou e após esses fatos nunca mais teve um sonho.

Mário Filipe Cavalcanti

Graduado em Direito pela Ufpe, advogado, escritor, autor dos livros de contos Comédia de enganos (Penalux, 2013) – Semifinalista no Prêmio Sesc de Literatura 2014 – e O circo (EdUfpe, 2015), colunista das revistas Samizdat e Página Cultural e colaborador do site Homo Literatus, já saiu pelas revistas Flaubert e 7faces. Leitor voraz e pianista retraído, é ainda algumas coisas mais e também absolutamente nada. Conheça o Blog .

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