Poesia e Subversão no livro Luiz Carlos Mendes Ripper

A Fundação Nacional de Artes – Funarte lança o livro Luiz Carlos Mendes Ripper: Poesia e Subversão. Resultado da pesquisa feita pela escritora Heloisa Lyra Bulcão, a obra revela em detalhes os trabalhos desse artista múltiplo – desenhista, figurinista, educador, diretor de arte, cenógrafo e encenador teatral. A apresentação será feita por Ronald Teixeira, diretor de arte, cenógrafo e figurinista de teatro, cinema e TV.

No livro, Heloisa Lyra Bulcão, que também é cenógrafa, figurista, aderecista e doutora em artes cênicas pela UniRio, apresenta o pensamento de Ripper, revelando o profissional e educador em sua “prática artística inovadora e comprometida com o desenvolvimento artístico e social”. Para traçar o perfil do artista, a autora se utiliza de entrevistas, matérias e programas das peças que marcam o pensamento de Ripper, além de histórias familiares.

A obra é enriquecida com fotos do artista em sets de filmagem, espetáculos de teatro e musicais que têm a sua marca do cenógrafo, além de croquis de figurinos e cenografias desenhados por Ripper. Muitas das imagens são reproduções do acervo do próprio artista, de Heloisa e também do Centro de Documentação e Informação da Funarte (Cedoc), responsável pela guarda do material.

No prefácio, o cenógrafo e diretor de arte José Dias, autor de Teatros do Rio (Edições Funarte, 2013), lembra o trabalho nas diversas áreas de atuação de Ripper que, segundo ele, “era ousado, não tinha medo de errar”. “Um artista com talento e vocação ao estilo dos anos 1960 e 1970, sempre com sede de experimentação – desde a época do Movimento Tropicalista, muito importante para ele na medida em que representou uma revolução cultural em todos os sentidos”, afirma José Dias.

No texto Imagens do Brasil, a autora lembra o primeiro trabalho de Ripper como diretor de arte no filme El Justicero (1966), em preto e branco, de Nelson Pereira dos Santos. “Ripper traz a exuberância das imagens por meio de grafismos, do uso de listras e bolas, em contraste com as formas orgânicas nas paredes e divisões de espaços”, diz Heloísa. E chama a atenção, ainda, para o trabalho com estampas e materiais construtivos e decorativos modernos como acrílico, cromados, pintura epóxi, concreto, tijolos e pedras aparentes, explorando conceitos da arquitetura moderna. “Na disposição das obras de arte refinadas (também usadas por ele), objetos utilitários, obras de artesanato brasileiras e frutas tropicais, Ripper compõe o espaço de acordo com o tom bem-humorado e irônico do filme”, conta a pesquisadora.

Com 173 páginas, o livro Luiz Carlos Mendes Ripper: Poesia e Subversão é referência para estudantes de cenografia. Ao final, traz sinopses e fichas técnicas de filmes, peças teatrais e musicais, com informações sobre os prêmios recebidos por Ripper.

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Sobre Luiz Carlos Mendes Ripper

Ripper nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de julho de 1943. Sua ligação com a arte teve início ainda na infância. Irmão mais novo do arquiteto, designer e professor José Luiz Ripper, estudou xilogravura e pintura no Instituto de Belas Artes (IBA), no Rio de Janeiro, além de arquitetura e cinema na Universidade de Brasília (UnB). Sua primeira experiência na sétima arte foi como assistente de direção de seu professor Nelson Pereira dos Santos, no filme Fala, Brasília (1965). Em seguida vieram o teatro e os espetáculos musicais.

Sua contribuição para a cenografia reside no estabelecimento de novas relações entre palco e plateia e ator e personagem, além da busca por uma linguagem e uma identidade nacionais que se afastassem das influências europeias.
Serviço

Luiz Carlos Mendes Ripper: Poesia e Subversão
Autora: Heloisa Lyra Bulcão
Páginas: 173
Preço: R$ 40

A compra pode ser solicitada através do e-mail: livraria@funarte.gov.br

Página Cultural

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