Sem pé nem cabeça

Nos idos anos setenta o Juca Chaves era famoso pelas prosas poéticas de sátiras contra o governo federal. Hoje, Juca, um pouco avançado na idade assim como muitos de nós, não perde a formosura poética de humor ácido tendo na política nacional atual um farto cardápio. Eu, que gostava de inventar historinhas, hoje não, o que falo é tudo “verdade”, criei um relato, fruto da imaginação inebriada pelo álcool, que é a seguinte: “Estava eu assistindo uma corrida de bicicleta no estádio Beira Rio, quando encontrei Juca Chaves no elevador e ao chegar à minha casa, abri a gaveta e tinha um monte de sapatos pendurados na árvore. Deu-me uma baita dor de cabeça. Tomei dimetil-laminofenil-dimetil-pirazolona e a dor foi embora.”. O pessoal olhava-me estupefato sem nada entender e diziam: Tu tá louco guri! Que conversa SEM PÉ NEM CABEÇA! Passei a juventude contando tal história. Hoje, reconheço que era uma coisa “nada a ver” como dizem alguns adolescentes. Parei pra pensar e concluí que tem tudo a ver com a história política do nosso país na atualidade. Pois vejam: O político quando é pego roubando, faz uma lei para protegê-lo da pena. Para dar mais segurança indica seu amigo e comparsa para ser o juiz que o julgará, caso a primeira contenda não obtenha êxito. O político abraça o empreiteiro para ajudar na campanha e depois, baixa um decreto nomeando a mesma empreiteira para a obra pública. Os presos mandam nas cadeias. Os bandidos mandam nas favelas. Na ação penal 470, aquela do mensalão, só o Marcos Valério pegou quase perpétua, por quê? Não era político. E quem os julgou? Os juízes nomeados pelos políticos que comandavam a roubalheira. Quando uma chapa é apresentada ao público votante e sai vencedora, ambos são vencedores. Perdem? Ambos são perdedores. Se um é cassado, o outro deve ser cassado também. Eles eram unha e carne na mesma chapa, tinham as mesmas ideias e os mesmos ideais. Como dizia o velho Brizola: Havia “interésses”! Eles acusam-se mutuamente e ninguém oficialmente é acusado de nada. O dinheiro roubado não precisa ser devolvido. O dinheiro roubado e repatriado vai para os mesmos políticos que efetuaram o roubo. Então senhores, com toda a vênia, aquela historinha que eu contava quando jovem, tem tudo a ver com o nosso Brasil de hoje.

E, se toda essa bagunça que está no nosso país lhes der dor de cabeça, tomem um dimetillaminofenidimetilpirazolona que passa!

Sérgio Clos

Sérgio Clos

Escritor de Porto Alegre/RS, articulista, 63 anos, com foco nas peculiaridades da Terceira Idade.

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