Sobre a experiência de ver o verdadeiro Santo Sudário de Turim

“Nós somos como peregrinos na Terra, e se não nos fosse dada a preciosa imagem de Cristo, nos perderíamos completamente, como o gênero humano antes do dilúvio”. (Fiódor Dostoiévski [Dostoevskij)

 …

O Santo Sudário de Turim é um desafio à inteligência humana. Ciências e áreas do conhecimento que têm sido importantes para o estudo do Santo Sudário: História da Arte, iconografia, numismática, fotografia, microscopia, anatomia, ciência dos tecidos, palinologia, eidomática, patologia (especialidade médica), traumatologia, radiologia, física, química, biologia, microbiologia, informática, matemática, antropologia, história da cultura, direito romano, costumes judaicos de sepultamento, exegese bíblica, teologia, filosofia, arqueologia e outras. Foi criada, inclusive, uma ciência específica para o estudo do Sudário, a Sidonologia (Sidone = lençol/sudário).

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“Os cientistas ainda não conseguiram identificar o mecanismo físico-químico que produziu a imagem superficial (sobre a superfície do tecido) e levemente amarelada, nem tampouco reproduzi-la. Esta imagem, quando fotografada, não gerou uma chapa com um negativo, como era de se esperar, mas sim uma imagem “positiva”, como se o próprio tecido tivesse agido como um negativo, obtido na “câmara escura” do sepulcro”. (Trecho do documentário: Santo Sudário – o manto sagrado de Turim).

O texto a seguir é uma versão ampliada de um post que publiquei nas redes sociais, há alguns meses. 

Em junho de 2015, vivemos um momento muito especial, sobre o qual ainda não me manifestei publicamente. Não por falta de oportunidade, mas porque esperava um momento também especial. Nesse caso, a celebração da Páscoa 2016.

Muitos pensam que pelo fato de uma pessoa não externar convicções religiosas, ela não as tenha. Isto nem sempre é verdadeiro. De fato, é sabido que muitos pensadores, filósofos e pessoas ditas comuns, como nós, preferem guardar “para poucos” as suas crenças, experiências e reflexões desta natureza. Que o diga o reduzido grupo de discípulos escolhidos por Pitágoras, para o seu grupo seleto, dentre os muitos que concorriam aos seus ensinamentos. Aqueles que agem dessa maneira, sendo notórios como Pitágoras, ou não, tratam desses assuntos como uma joia muito valiosa, que deve ser compartilhada, mas com critério.

No meu caso, tenho o maior prazer de conversar sobre o tema, tanto profissionalmente, pois já trabalhei ministrando aulas sobre Teologia e História da Religião, quanto como reflexão entre pessoas que compartilham ideias semelhantes, mas nunca fiz alarde. Respeito aqueles que preferem se distanciar das crenças. Além disso, sei separar os domínios da livre exposição, da filosofia, da convicção, da fé, da crítica e do ceticismo saudável.

Por isso, me darei o direito de fazer esse breve relato.

É difícil ser Cristão, no sentido pleno da palavra, mas procuro ser um Cristão! Sempre me interessei pela Filosofia do Cristo e estou adiando um projeto de escrever sobre ela há alguns anos. Mas o presente relato não é, exatamente, sobre isto…

Bom, o fato é que, desde março de 2015, nós já estávamos com as passagens adquiridas para irmos à Grécia e à Itália, no mês de junho/15. A intenção era apresentar um trabalho sobre minha tese, que foi aceito em um evento em Atenas e aproveitar para conhecer alguns lugares, tanto da Grécia, quanto da Itália. A viagem, a princípio, não incluía uma ida a Turim, pois a próxima visitação ao Santo Sudário estava prevista para 2025. Por algum motivo ainda não muito claro para mim, o Papa Francisco autorizou uma visitação ao Sudário para o 1º semestre de 2015 (Ostensione della Santa Sindone 2015 – ver imagem), que coincidia com o período de nossa estadia na Itália.

Sempre tive vontade de conhecer o Santo Sudário (Este é um capítulo sobre o qual também pretendo escrever, em outro momento…mas, por várias vezes, “quase sem querer”, estive presente em exposições sobre o Sudário (não o próprio, mas cópias e réplicas), sem que me programasse para isto – Brasília, Bauru… coincidências significativas, ou aquilo que Jung denominou “Sincronicidade”).

Consegui fazer uma reserva (ver foto) para visitar o Sudário em Turim e modificamos um pouco o roteiro. Depois de passar alguns dias em Atenas, para apresentar o trabalho. Embarcamos para Roma no dia 04/06 e no dia 07/06/15, para Florença. Em Florença, tomamos o trem da Trenitalia (deu tempo, inclusive, de adquirir e receber os tickets no Brasil, via Fedex). A viagem incluía uma conexão em Milão. Houve um atraso (delay, ritardo – ver foto), chegamos em Milão alguns minutos depois que o trem havia saído, às 0h 20m do dia 8/6. Depois de uma longa peregrinação quase jobina e outras tantas peripécias que demandam outro relato, fomos levados de táxi, Telma, minha esposa, Bruno, meu filho, a minha pessoa e mais dois italianos na mesma situação, de Milão a Turim, com as despesas pagas pelo serviço de “assistência à clientela” da Trenitalia que se responsabiliza por atrasos e outros inconvenientes com clientes (350,00 Euros, só de ida, até a estação de Turim. Pelo trajeto todo, o taxista deve ter recebido cerca de 800,00 Euros).

Chegamos em Turim de madrugada, esperamos a abertura da estação Porta Nuova, às 4h30m (as estações fecham na Itália). Esperamos o amanhecer e fomos conhecer o Sudário de Turim.

Para aqueles que acreditam no malfadado teste de carbono que “provou” que o Sudário não remonta ao período da Jerusalém de Cristo, eu indico alguns trabalhos sérios: os documentários: “A verdadeira face de Jesus”, “O Santo Sudário de Turim”, “40 dias perdidos” e o livro “Sinal”, de Thomas de Wesselow. Embora este último não advogue pela ressurreição, é um trabalho maravilhoso, do ponto de vista científico. A nossa ciência ainda não é capaz de explicar o Sudário, por isto, muitos o evitam. Para mim, e para muitos, ele é a verdadeira ponte entre a Ciência e a Religião, entre a Filosofia e a Fé, entre a Razão e o Amor. Assistam e leiam, com o Coração e com a Mente abertos, e tirem as suas próprias conclusões.

Depois de nova peregrinação pelos corredores da Catedral de Turim, juntamente com cerca de 200 pessoas que haviam reservado a visita para aquele dia e horário, chegamos à frente do verdadeiro Santo Sudário. A partir daí, é difícil escrever…

Sei que é um assunto que não interessa a todos, e se alguém me perguntar: “Por que você está publicando este texto?” Eu direi: “Não sei, mas algo em meu entendimento exige que eu o faça!”

As fotos anexadas aqui, as quais evitei publicar até então, são imagens de alguns dos eventos narrados acima. Inclui uma foto do Santo Sudário autêntico (foto do centro) da maneira como o vimos. A foto foi tirada pelo Bruno Irineu, antes que fosse dito que não poderia ser tirada. Eu não tive coragem de deletar. Além disso, é possível encontrar essa imagem na internet e em documentários.

Agradeço especialmente à Telma e ao Bruno, companheiros nessa “peregrinação” e às minhas professoras de língua Italiana: Irene Ferrazzuolo e Mariella. Sem o seu auxílio, a viagem teria sido bem mais difícil.

A todos e todas, desejo uma Feliz Páscoa 2016!

Imagens: Bruno Irineu e Paulo Irineu

Paulo Irineu Barreto

Paulo Irineu Barreto

É escritor e Professor do IFTM. Doutor em Geografia Humana e Cultural e Mestre em Filosofia Política e Social. Pesquisa e escreve sobre Cultura, Educação, Filosofia, Geofilosofia, Geografia e Política.

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