Taú

Aguardei-o como num ato triunfal terminar o poema, e só assim pus-me de pé e aplaudi-o com fervor. Junto comigo todos os presentes no teatro se levantaram e repetiram o ato de saudação e contentamento pela bela apresentação do poeta Acteão. Fora a primeira vez que eu havia presenciado tão bela declamação de um poema épico. Contagiei-me com cada verso e estrofe declamada, e com a forma como fora declamada. Acteão era um poeta muito famoso, tinha dezoito títulos de poesias publicados e traduzidos em várias línguas. Seu ultimo trabalho era um livro que cantava os feitos de um herói cujo nome era Taú, e que dava título ao livro. A história era na verdade uma lenda antiga supondo que a voluptuosa deusa, Afrodite tivesse tido um caso com um mortal de uma tribo africana e gerado um filho com grandes dotes na arte da sedução: Taú.

Após o termino do espetáculo, fui levado por um amigo, que tinha vários contatos dentre os organizadores do evento para que pudesse bater um papo com o poeta, e foi aí que eu me interessei mais pela história do poema.

Ao conversar com Acteão ele me revelou detalhes sobre o texto que me fez querer pesquisar e saber mais sobre aquela história, e se supostamente aquilo poderia ter algum fundo de verdade, ou se ele próprio havia inventado aquela lenda, já que eu, como poeta que era cantava os deuses do Olimpo, e saber mais sobre eles nunca seria demais.

Foi assim, que dias depois de assistido o recital “Taú: O sedutor” que me debrucei nas pesquisas sobre artigos e documentos que falassem mais sobre essa figura africana dentro da mitologia grega antiga.

A minha primeira tentativa fora fracassada. Procurei dentro dos escritos da biblioteca da universidade onde cursava Letras, e não achei nada referente aquele personagem. Então, recorri à internet, procurei em sites de mitologia grega, de mitologia africana, mas não encontrei nada que me servisse, ou que me revelasse mais sobre este personagem.

Inquieto por não conseguir saber daquela figura nos meios de comunicações e livros, liguei para meu amigo, e pedi-lhe para que entrasse em contato com o poeta Acteão, já que eles haviam se tornado grandes amigos, e perguntasse sobre este personagem e onde eu poderia encontrar mais sobre ele em prosa.

Dois dias depois da ligação feita ao meu amigo, ele retornou dizendo que o poeta Acteão havia desaparecido, não atendia as suas ligações, não as retornava, e nem respondia os seus e-mails. Aquilo me inquietou mais ainda. Fiquei a pensar o que poderia ter acontecido, e a figura e o nome de Taú não me saiam da memória.

Após alguns meses, andando pela biblioteca mais precisamente na parte referente a literatura grega, encontrei o livro de um poeta que me chamara atenção. Peguei-o emprestado e ao chegar em casa comecei a ler. O livro contava lendas antigas da Grécia. Neste livro, consegui identificar a imagem de um ser sensual, o qual tinha uma pele de um tom diferente das pessoas com as quais conviviam, o que o tornava mais belo e sedutor. Porém encontrei-o apenas em uma pequena citação e não mais durante a leitura do livro consegui identificar nada que fizesse referência a esta criatura. A única coisa que ressoava em minha mente era ele ser tratado como um guerreiro bravo como um leão e que vinha de tribos de um país que não era a Grécia, por muitas vezes ser chamado de bárbaro.

Assim, comecei a perceber que a figura da qual se falava no livro era o tal Taú cantado pelo poeta Acteão.

Nesta mesma noite enveredei novamente por pesquisas na internet, e por incrível que pareça consegui identificar a criatura tratada como semideus em antigas lendas africanas. Achei em um site o seguinte trecho que fazia referência a Taú.

Bravo como um leão, o guerreiro de pele escurecida, filho da deusa amor com um mortal nas suas relações extraconjugais”.

Em outro site havia uma pequena história ou crônica que detalhava alguns episódios da vida de Taú.

“O guerreiro nasceu de uma relação de adultério da deusa Afrodite com um mortal de povo bárbaro. Após o nascimento da criança Hefesto, descobriu que a deusa havia-o traído com o mortal e decidiu matar tanto a criança, quanto o pai da criança. Entrementes, a deusa amava acriança e pediu para que seu também amante Ares cuidasse de proteger o bebê. Sendo assim quando na calada da noite Hefesto fora matar a criança e seu pai, encontrara apenas o pai, matando-o, e deixando a criança livre.

Ares que também havia se rebelado ao saber da origem da criança, depois de certo tempo negou-se a continuar protegendo-o. Então Afrodite sem ter outra opção entregou o filho para uma mortal que vivia em uma tribo num continente desconhecido (África).

A criança foi criada e educada de acordo com os costumes daquele povo e assim conseguiu se manter seguro por um longo período da sua vida da fúria do deus Hefestos”.

A história cada vez mais tornava-se interessante, porém haviam várias ramificações da origem e vida do mesmo personagem, que como era filho duma deusa, supus eu, era um semideus. Continuei lendo a história do semideus aquela noite e descobri mais coisas sobre a sua existência.

“Segundo símbolos antigos encontrados em cavernas antigas no continente africano, Taú teve que lutar com um demônio chamado Asambossam para continuar vivo. Isso graças à fúria do marido da sua mãe que invocou espíritos antigos para procurá-lo e mata-lo. Porém Taú venceu o demônio e comeu seu coração, tronando-se extremamente forte”.

Já passava da meia noite e eu não conseguia desgrudar os olhos da tela do computador, a excitação por estar desvendando a vida de uma criatura até então desconhecida dentro das lendas gregas me fazia querer cada vez mais saber sobre Taú. Varei a madrugada procurando citações, referências, imagens que mencionassem ou apenas fizessem alusão a Taú. E vi que até mesmo dentro do cristianismo, o semideus era tratado como sendo um demônio sedutor que desvirtuava moças.

Em outras páginas ainda acabei descobrindo que por se tratar de um africano a suposta lenda brasileira do boto-cor-de-rosa tinha sido inspirada na lenda do mesmo, pois Taú com o passar do tempo, para tentar fugir dos demônios pelos quais era perseguido, aprendeu com sábios antigos das tribos onde morava a mudar de forma. E a principal forma utilizada por ele era a do peixe, tubarão ou golfinho.

O guerreiro era também retratado em histórias onde seduzia grande quantidade de moças por ser muito belo, e isso se dava justamente por ter herdado os dotes na arte da sedução da sua mãe, Afrodite. Pinturas, imagens, figuras, achei-as aos montes representando Taú como um negro forte, musculoso, torneado, que carregava um coração em mãos e uma enorme lança. Além disso pude observar que na maioria das figuras o semideus era retratado nu em pelo, e que seu órgão genital fugia ao padrão da normalidade, não sei se isso era apenas uma caricatura do guerreiro por se tratar de um sedutor ou se condizia mesmo com a sua verdade.

O bom também, fora que dentro destas pesquisas, consegui identificar vários livros onde eu poderia encontrar referências sobre esta criatura. E foi então que no dia seguinte parti para a biblioteca e encontrei várias coisas sobre o Taú que me deixaram impressionado.

A primeira coisa que me deixara inquieto fora a suposta, mas não factível alusão do semideus nos poemas de Hesíodo, e que supostamente este poeta poderia ter escrito mais sobre ele em textos que foram perdidos durante o tempo, já que o poeta era um escritor oral.

Mas, como nada para mim era o bastante, fui atrás destes escritos de Hesíodo na internet mais não achei nada que falasse sobre isso. No entanto consegui encontrar coisas que faziam alusão à criatura em territórios brasileiros. Além da alusão feita ao boto, havia outra de uma amante que esteve em terras brasileiras.

Curioso com o fato, pesquisei sobre essa suposta “verdade” e encontrei em pdf. um arquivo que me revelou muito mais sobre este ser em terras brasileiras.

O arquivo era na verdade trechos de um romance escrito na época do Brasil colonial que fazia alusão a um jovem negro que havia sido trazido da África para o nosso território, não como escravo, mas como príncipe de uma tribo por ter conseguido se comunicar facilmente com os portugueses e por ter feito acordos com os mesmos. Este príncipe era de uma beleza descomunal. Encantava todas as moças, seduzi-as, principalmente as castas, desvirginava-as e depois as deixava ao léu. No texto intitulado de “O diário de Jocasta” pude encontrar fortes indícios da presença desta criatura na mitologia brasileira e portuguesa do período das capitanias hereditárias.

Destaco então trechos deste livro que acho importante, para maior entendimento desta criatura.

O diário de Jocasta (trechos escolhidos)

Vi-o pela primeira vez quando chegara junto com a tripulação de um navio negreiro. Era extremamente belo, tinha porte de príncipe e se vestia como tal. Achei estranho um negro dentre tantos negros de olhar cabisbaixo e que estavam aprisionados em correntes, se comportar daquela forma. Esperava meu pai que vinha junto com a tripulação e que era chefe de relações e expedições de navios em busca de mão de obra escrava. Porém, aquele dia a minha atenção fora dirigida apenas aquela figura que ficou gravada em minha memória.

Ao chegar em casa junto com meu pai, o qual havia beijado muito por ter sentido falta até por que ele havia permanecido tanto tempo longe em terras estranhas, indaguei-o sobre o homem que eu tinha visto no navio. Ele fora rápido e me falara que se tratava de um príncipe que lá em suas terras era tido como entidade, por se tratar do filho da deusa branca, a deusa amor. Fiquei confusa com tudo com o que me fora dito por não entender muito sobre a cultura daquele povo, e o que era a deusa amor, deusa branca, mas a beleza daquele homem me deixava encantadoramente excitada. Meu pai ainda explicou-me que ele seria muito útil, pois seu povo era tido como superior em relação aos outros do continente negro e por isso a captura de mão de obra escrava com facilidade estaria garantido graças a ele.

***

Papai havia organizado um jantar em nossa casa, para saldar um grupo português da corte que havia aportado em terras brasileiras. Compareceram também a este jantar o príncipe africano e mais uma minoria da nobreza que também fazia parte da corte.

Os meus olhos não conseguiram se desligar dos olhos do príncipe desde o momento que ele chegara em nossa casa e se sentara em frente a mim na mesa do jantar. Ele era sutil nos seus movimentos, em seu olhar, tudo que fazia era metrificado. Cada gesto era inconscientemente sensual, ele exalava a libido sem nem ter a consciência de que fazia isso.

Perto daquela figura eu não conseguia manter-me concentrada, certo fogo comprimia minha pele, e a exuberância rubra pela qual eu era tomada inquietava-me fazendo querer permanecer o tempo todo em movimento.

Levantei-me da mesa, apesar de ter que prezar pelos bons costumes da corte, alegando a meus pais que estava indisposta e sentindo um pouco de febre. Dirigi-me ao meu quarto, então lá eu poderia me esconder da presença daquele demônio que me tentava.

Dormi, e quando por volta das três da madrugada voltei meu olhar de insônia para a janela. Pensei ter visto um pássaro de plumagem azulada quase negra atacando com o bico o vidro da mesma. Assustei-me e gritei. Meus pais vieram ao quarto, então a figura desapareceu.

***

Não conseguia manter a calma em sua presença. Havia-o encontrado na feira da cidade, e ele fez questão de acompanhar-me. Tinha os modos de um cavalheiro, era requintado, porém era rude em alguns aspectos, era másculo, viril, e isso acabava por me constranger.

Mirava seus lábios avermelhados, cheios, carnudos, e única coisa que me vinha a mente era mordê-los, beijá-los, invadir sua boca com a minha língua. Ele acompanhou-me durante uma longa parte do caminho, e então eu decide que era hora de voltar para casa, deixa-lo e conter aquela pulsão que me acometia. Porém ao tentar sair, ele segurou em meus braços e declarou seu amor por mim. Escutei-o, dizia que desde o primeiro momento que havia me visto encantara-se comigo, meus modos, minhas delicadeza, minha beleza. Falou-me sobre a alma, sobre os deuses, sobre as vantagens e as desvantagens de querer bem a uma moça daquela corte por ele ser um príncipe negro, e pediu, implorou-me quase que de joelhos para que eu cedesse ao seu apelo.

Chorei naquele dia. Olhei para o céu e agradeci a deus por dar-me tão belo presente. Na primeira oportunidade, quando ia para casa por um caminho deserto beijei-o. Toquei-lhe com meus lábios o pescoço, depois a boca, mordisquei, e senti a terrível vontade de me lançar aos prazeres ébrios da luxuria e da carne com aquele homem. Mas contive-me, e fugi para minha casa.

Os dias passaram e nós continuamos com aquilo que se tornava um romance furtivo. Enamorávamos escondidos. Beijávamo-nos, tocávamo-nos em partes proibidas do corpo. Eu sentia o seu sexo rijo pulsando, almejando cortar-me, ferir-me, desposar-me. Eu desejava aquilo mais que tudo, mas os meus costumes e a minha moral não me permitiam.

***

Uma noite insone voltei meu olhar para a janela ao ouvir um barulho. Primeiro vi um pássaro de penas azuladas, depois de súbito vi que o meu amado, príncipe ébano, batia a janela pedindo para entrar. Abri-a desesperadamente. Indaguei-o o motivo dele estar ali, era perigoso, arriscado. Mas ele respondeu-me que não conseguia ficar longe de mim, que a única coisa que via era o meu rosto. Almejava meu corpo mais que tudo, almejava a minha carne.

Aproximou-se de mim e beijou-me, um beijo quente, intenso. Fui cedendo pouco a pouco aos seus toques, primeiro no seio, depois no sexo. Sentia ele excitado, membro rijo. Apertei-o, toquei-o. Até que ele pôs pra fora. Era descomunal, terrivelmente extravagante.

Como se um demônio houvesse me possuído eu enlouqueci. Abaixei meu corpo e deixei a minha face frente ao seu sexo, e beijei-lhe delicadamente o monstro. Acariciei, friccionei enquanto ele gemia de prazer. Babujei, sorvi-lhe como se esperasse que algo preenchesse o vazio da minha boca.

Ele me levantou, pediu para que eu me despisse. Fiquei completamente nua. Ele beijou meu sexo, beijou meus seios e só então pôs o seu animal faminto na minha caverna de frescuras indômitas. Eu e ele gemíamos e exclamávamos injúrias malditas. Até que num átimo todo meu corpo se estremeceu e eu desfaleci completamente morta em seus braços.

Foi quando ouvi alguns barulhos vindo do corredor, e meu pai subitamente abriu a porta do quarto e viu-nos completamente desnudos desposando um ao outro. “Maldito” meu pai exclamou injuriado, e o príncipe como se fosse uma besta aproximou-se rapidamente dele, enfiando-lhe como se tivesse lâminas nas pontas dos dedos a mão no peito, arrancando-lhe o coração que logo em seguida comeu.

Desesperei-me com tudo o que via. Gritei. O homem como um demônio correu em direção à janela e saltou, transformando-se em seguida em um pássaro negro e voando para longe.

Depois de terminada a leitura do arquivo referente à Taú, passei a desenvolver uma tese referente à vida e a inclusão desta figura mística dentro da mitologia grega antiga e do folclore brasileiro.

Os dias se passavam e eu desenvolvi a minha teoria. Noites e mais noites eu dormia e sonhava com o pássaro negro bicando a janela do meu quarto. Acordava desesperado, e como era mais fácil acreditar na existência de demônios do que na de um semideus de origem grego-africana, eu orava.

Certa noite sonhei com o boto. Sonhei que havia sido levado para o fundo do mar pelo mesmo após uma longa jornada de descobrimento sobre os prazeres da carne. O que me inquietou fora justamente eu estar diante de uma situação que dizia respeito a mim em papel de homossexual e ainda por cima, passivo.

Comecei a me indagar sobre a minha sexualidade, sobre os meus desejos e inquietações e tive a certeza de que não era gay, mas passei noites inteiras tendo o mesmo sonho repetidas vezes, até que numa delas acordei com a campainha do meu apartamento soando. Fui em direção à porta, abri-a e fiquei surpreso ao ver Acteão.

Era três e meia da manha, ele pediu para entrar, sentar e conversar. Disse-me que tinha algo sério a falar, consenti com a cabeça para que ele começasse a dizer. Expressou todos os seus sentimentos a mim. Disse que desde o dia que havia me visto no recital do seu livro, Taú o sedutor, não tirava a minha imagem da cabeça, estava completamente apaixonado por mim. Falou sobre os seus anseios, sobre o seu atual estado de alcoolismo, bebia todos os dias por me querer perto e não me ter. Revelou-me centenas de coisas que me deixaram boquiaberto e sem saber como reagir. Fora aí então que ele aproveitando a minha situação, pegou-me de surpresa e cravou seus lábios nos meus, apertando também com as mãos o meu sexo. Repentinamente me afastei, e disse-lhe que não era dado aos prazeres da sodomia. Porém ele insistiu, pediu só por uma noite para que eu o invadisse com meu amor.

Assim, depois de um longo tempo permiti-lhe babujar-me o sexo. Ele fez com demasiado prazer. Ora usava a língua, ora colocava-me todo em sua boca querendo me engolir. Mordiscou levemente e foi então que começou a loucura. Mordeu com força induzindo-me ao grito. Pedi para que tivesse cuidado, mas foi aí que tudo começou. Ele mordeu com mais força e depois mais forte ainda, como se quisesse arrancar. Eu pedia para que me soltasse, e então ele se tornava mais agressivo e mordia, puxava. Eu socava-lhe a cabeça com as mãos fechadas, mas ele não me largava. Pouco a pouco fui perdendo as forças. A cama estava toda ensanguentada e eu já não tinha mais o meu órgão sexual. Desmaiei.

Ao acordar dei conta de que estava no meu quarto, olhei para um lado, olhei o outro e tudo parecia normal. Toquei meu sexo, e ele estava lá, rijo, como é comum de toda a manhã. Tudo não passara de um sonho, graças aos desuses. Porém, depois desse sonho deixei um pouco as minhas pesquisas sobre Taú de lado.

Numa sexta feira pela manhã quando eu passava por baixo de uma arvore vi um pássaro negro em seu galho. Ele piou e cravou seu olhar em mim. Estremeci todo como uma luz que bruxuleia. Exclamei “crê em deus pai” e segui o meu caminho.

Marcos Welinton Freitas

Marcos Welinton Freitas

Baiano do Bravo/Serra Preta. Graduando em Economia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Escritor: poeta e contista.

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